domingo, 1 de outubro de 2017

                                                        Sobre as  visitas dominicais...



Os finais de semana eram os dias mais esperados,pois eram neles que as crianças do orfanato recebiam suas visitas.
Era quando os  grandes portões do orfanato se abriam, e a entrada, em forma de arcos ficava lotada de familiares, que esperavam ansiosos a hora de abraçar suas
crianças.A alegria das meninas era incontrolável e a agitação era natural,pois era o dia mais esperado...o dia que esperavam ver a mãe, o dia de receber o abraço tão esperado,as balas de vidro,uma maça...e talvez até pudesse ser o momento de voltar para casa!!
Os visitantes iam entrando com pressa e corriam ao encontro de suas crianças ,abraçando e enchendo de mimos e presentinhos! Porem aos poucos ficava obvio que nem todos tinham comparecido...Nem todos vinham com tanta frequência,especialmente os familiares das crianças que ninguém queria.
E por falar nelas,estas ficavam no saguão de entrada,onde tinham os grandes arcos,esperando e observando a parada do ônibus.A cada meia hora, quando um apontava na esquina,elas enchiam-se de esperança e aguardavam com os olhos fixos no desembarque...mas,como sempre,ninguém vinha,mais uma vez  absolutamente ninguémmm!! Como era triste voltar para o pátio com aquela sensação de abandono...
Então vencidas pelo cansaço e tristeza,dirigiam-se para o grande salão, e la então elas iam para a fila da cocada. Este era o mimo que as que não recebiam visitas tinham,para não se sentirem tão tristes.
Umas diziam que era a fila da alegria, eu chamaria de: a fila do consolo mesmo!).
E assim terminava mais um domingo de frustração e espera.Mais um dia a ser contabilizado sem nenhum abraço,sem maças,sem carinho,sem nada!!
Os domingos passaram a ser  pesados e tristes.
 As meninas ficavam juntas e de sua forma ocupavam o tempo livre,corriam pelos pátios,colhiam florzinhas,brincavam de roda e ao final da tarde iam para os alojamentos...e assim a vida prosseguia rumo ao próximo fim de semana,onde talvez a mãe viesse finalmente busca-las!!
 Os domingos com o passar do meses,tornou se apenas mais um dia...dia de ir a escola dominical,ganhar cocadas e brincar a vontade!


Até breve

Nice L.S.

domingo, 12 de julho de 2015

                                             A crianças que ninguém queria -  parte II


 Tenho que continuar!!!...é um assunto bem delicado, e  como disse  mexerá com as emoções de muitas pessoas  envolvidas.Mas devo a estas crianças um pouco de reconhecimento por sua dura trajetória.Lidar com a rejeição é doloroso,e é um processo que pode trazer profundas cicatrizes.
As crianças estavam agora apenas começando a saga de suas vidas,nem sonhavam com isso,nem nunca desejaram!!. A vida lhes traria longos dias e pesadas lembranças...
O pai desesperado foi ao encontro da cunhada,ela era quase uma irmã para ele,e o mesmo sabia que era com quem se podia contar numa hora como esta.
Foi feita uma breve reunião,e o assunto em pauta era: 4 crianças abandonadas! O que fazer? Como fazer?? a quem recorrer? Todas as possibilidades foram procuradas e logo descartadas,a cunhada trabalhava fora ...
...logo constatou-se que ela também não podia assumir as crianças!
Conversa vai,conversa vem,lembraram que existia na cidade um grande orfanato,onde abrigavam crianças órfãs de pai ou de mãe. Discutiram a possibilidade de colocar as crianças lá.
Quem sabe se por alguns meses,talvez um ano,até que o pai pudesse recuperar-se do susto,refazer a vida e ir buscar as crianças!   Mas pera,estas NÃO eram órfãs!!nem de pai,nem de mãe!!
Logo não se enquadrariam as exigências da casa acolhedora.Voltaram as indagações:o que fazer?? como fazer?? onde fazer?? com quem deixar?
Bem ;estes pequenos detalhes eu realmente desconheço,mas recorri a irmã mais velha, e a do meio, que me forneceram alguns detalhes...
Ele,(o pai), forjará um atestado de óbito,para assim as crianças parecem órfãos de mãe,e serem aceitas no lar. E assim foi feito!!! O pai juntou as poucas roupas que as crianças tinham, entrou no ônibus e rumou para o lugar que parecia ser um lar temporário, e perfeito para seus filhos.
Sem explicações,sem consulta sobre se isso agradava as crianças,apenas com a ideia fixa de resolver logo o maior pesadelo de sua vida! E assim ele deixou no lar seus 4 filhos,com lágrimas nos olhos e com a promessa que iria visita-las sempre e logo voltaria para busca-las.O lar acolheu as "órfãs" e encaminhou o menino para a casa do pequeno jornaleiro,um local destinado somente para meninos órfãos.
Tudo parecia perfeito,o problema temporariamente resolvido e as crianças bem cuidadas.
As crianças sentiram se acolhidas e bem,pois ali tinham outras meninas com quem brincar e o pão a mesa,pelo menos 3 vezes ao dia. Não tinham aos pais,mas esperavam todos os dias de visita pelos mesmos. Estas visitas aconteciam aos domingos,quando as crianças eram arrumadas para receber seus visitantes. O pai veio uma ou duas vezes,e quando o fez foi embora aos soluços,por deixar as filhas mais uma vez ali...semi abandonadas!! Para ele foi muito doloroso também!
Tinha um tio que vinha mais vezes,e ele trazia balas de vidro,daquelas coloridas e que pintavam a boca.Ele contava historias de princesas e dragões,e brincava muito com as crianças,mas ao final das visitas,era mais um que se ia com lágrimas nos olhos.
A irmã do meio tinha uma curiosa maneira de saber se a mãe vinha,pensava ela que os pássaros lhe contavam. Até ali as crianças não estavam entendendo que o abandono seria para a vida toda...que nunca mais seriam uma família,não com essa mãe,não na mesma casa,nem com os irmãos. Se quisessem fazer parte de uma família novamente,teriam que ter a sua própria..mas disso as crianças ainda não sabiam,não entendiam.E seguiam com suas fantasias da família unida novamente.
Então a irmã do meio olhava para o alto e perguntava aos pássaros assim;
Passarinho nossa mãe vem hoje?? E o passarinho batia asas e cantava,então para ela era uma resposta de que a mãe viria!! Logo ela contava para as irmãs ,que se enchiam de alegria e iam esperar a mãe na grande porta,que dava para a rua ,com vista para a parada de ônibus. Ali as 3 passavam a tarde esperando e vibrando a cada ônibus que surgia na esquina. Mas murchando a cada ônibus que partia,sem a mãe ter descido dele. Assim eram seus domingos,assim seguiu se uma rotina,mês,apos mês!! E a mãe nunca veio!!!!!!!!!!!!!
O pai,como relatei veio umas duas vezes,e talvez por não suportar a dor de ver as filhas ali,resolveu não vir mais. O tio tinha um cargo na igreja de sua comunidade, e não podia estar ausente desta todos os domingos,logo também não vinha tanto.
As outras crianças por sua vez tinham sempre visitas,muitas e constantes!
 Para aquelas que eram órfãs mesmo, e quase sem visitas,restava lhes o consolo de receber uma cocada,isso mesmo,uma cocada!
como as que recebiam visitas ganhavam doces,frutas,chocolates  e outras guloseimas,as que não tinham ninguém, recebiam um premio de consolação digamos assim,para não se sentirem tão só e tão lesadas. A irmã mais velha por saber que durante a semana nada teriam para comer,pegava as primeiras cocadas e logo guardava.Limpava a boca da pequena que já vinha abocanhando a cocada e mandava as irmãs para o final da fila de novo,para buscar mais uma,e mais uma.
Isso para que durante a semana estas fossem divididas,pedacinho por pedacinho,enquanto as  outras crianças devoravam suas coloridas e deliciosas guloseimas.Era nada menos que uma estratégia de terem algo para mordiscar,enquanto as outras saboreavam seus doces incríveis.
E assim foi se  passando o tempo,os domingos de longa espera,as visitas que nunca vieram, a maldita sirene que tocava avisando que o tempo acabou.As vezes mais parecia com um campo de concentração,pois após a sirene tocar, todas tinham que se recolher em seus dormitórios e esperar até a  hora de dormir.
Muitas meninas então iam saborear seus doces e suas  maças...ahhh as maças!!
Que aroma delicioso...as maças!! Sobre elas falarei na próxima vez!!
Até breve!

sábado, 4 de julho de 2015









                                                         A viagem de trem.
                                                           



Hoje estava perdida em minhas memórias,e cheguei a uma nada incrível conclusão de que as vezes desejamos muito e fazemos tão pouco!.
Estava analisando quanta coisa eu deixe de fazer por simplesmente não arriscar.Quanta coisa também deixei de dizer  pelo simples  medo de errar com as palavras.Quantos amigos deixei de abraçar por falta de tempo.Quantos pôr do sol deixei de contemplar...por pura preguiça!!Quantos aniversários em família deixei de ir,por orgulho ferido!
Refletindo sobre isso, lembrei  também de quanta coisa boa já fiz nesta vida.Como sou ousada!!
Largar o seu país, emprego,estabilidade,filho (já adulto,é claro),a família,  e os amigos ,não é para qualquer um!!Tem que ter peito pra arriscar tanto assim,e são decisões que mudam  o rumo  de toda uma vida.Mas eu arrisquei,eu fiz  tudo isso!!.
Apesar de ter medo do desconhecido ,eu apostei todas as minhas fichas...literalmente falando! 
Hoje não me arrependo mais  de ter feito isto,e acho que até  faria tudo de novo!. 
Me lamentei muito no começo,é claro!.Todo ser humano resiste muito a mudanças, e eu como uma boa canceriana que sou,não  poderia ser exceção. Chorei de saudades,gritei e relutei com todas as minhas forças, e até entrei em depressão, pré e durante inverno.Eu, em muitos momentos quis simplesmente largar tudo e voltar a estaca zero.Mas as regras que regem este país não me deixaram fazer isso.E por mais estranho que pareça,e após tantas lagrimas e lamentações,eu resisti!!.
Intrigante isso né?!!
Aliás nesta vida tudo é muito intrigante; são encontros e desencontros.Muita novidade,muitas regras,muito aprendizado,muito desaprendizado...leis
 que regem lá não valem cá,e vice-versa!!.
As vezes tudo mais se parece com  um grande jogo,ou melhor,acho que  é um jogo mesmo! 
As cartas são lançadas,a mão esta cheia...e  é você  quem tem que jogar, é  você mesmo que tem que raciocinar e simplesmente arriscar!! As vezes você passa uma rodada batida,e até que chegue sua vez de novo,outro vai e solta a mão! Caramba,vc esta ali, prontinha para bater e levar a mesa...mas alguém mais rápido pega o que era pra ser teu... mas,é um jogo lembra? Pois que vença o melhor!!!!!
Assim são as regras, e assim é a vida!!...
Mas comparando isso tudo a viagem de trem,e mais ou menos assim: eu tenho viajado bastante de trem por aqui,pois é um meio de transporte bem eficiente e muito usado também.

E durante estas viagens a paisagem me  arrebata de uma maneira indescritível,tipo me coloca em standy by mesmo!!.Nesta semana, durante uma viagem destas,eu  fiquei refletindo sobre  como  a vida da gente  pode ser comparada a uma grande viagem de trem...Nesta viagem  muitas são as  novidades, e em cada estação muitas pessoas descem e outras sobem...belas são as paisagens,lindos são os caminhos  que o trem percorre,também muitas são as paradas feitas. Algumas levam poucos segundos ,por serem em cidades pequenas,outras demoram um pouco mais,pois a cidade também é maior, e tem muita gente esperando para embarcar.E o trem segue o seu caminho,ou melhor a vida!
Um dado momento a viagem de trem chega a seu destino,e temos que descer, para seguir o nosso rumo. Nesta hora pensamos de como valeu a pena fazer a viagem,como foi bom chegar ao lugar tão desejado...assim é a vida,passamos  por tempestades e obstáculos jamais pensados.Uns duram um breve tempo,já outros quase nos levam a lona. Pensamos não suportar,e queremos saltar da vida,mas como no trem isso não é possível,(a menos que vc queira se matar),na vida também não.A viagem tem que ser feita.O bilhete  nos foi entregue no dia em que nascemos,e então embarcamos no trem.O caminho é muito longo,o assento as vezes não parecera nada confortável,mas a linda  paisagem  por sua vez nos arrebatara. Haverão é claro dias de chuva ,e momentos que a viagem será cansativa.Terão dias de indecisão sobre em qual estação ficar...se numa cidadezinha do interior ou numa grande metrópole.Mas a viagem tem que ser feita,lembra?,e somente por você!!!.O bilhete é pessoal e intransferível! Então faça a sua viagem...
Aproveite para sentar-se á janela e aprecie cada momento.Não troque seu bilhete,como eu disse,ele é único e só seu!!.Esta experiência por mais difícil que seja,foi destinada á você.Carregue  pouca  bagagem,tipo somente o necessário mesmo,para não pesar no caminho.Aproveite cada parada,visite cada cidade que puder,faça sempre suas preces e agradeça a Deus pela tua trajetória,curta quando possível o pôr do sol.Faça novos amigos e os abrace quando sentir vontade.Ligue para sua casa de vez em quando, e diga aos seus o quanto eles são importantes na sua vida.Mas faça a TUA  viagem.Não adie o que esta logo ali na frente para vc! E quando chegar ao final,desça do trem com a certeza de que tudo realmente valeu a pena!! Boa viagem!!


Nice L

segunda-feira, 22 de junho de 2015

                                                         Uma grande janela.






Dias atrás,após o término de minha aula resolvi tomar um café em uma cafeteria. Aqui na Alemanha existem muitas delas,logo é comum sentar-se por longo tempo em uma,e apreciar um saboroso café acompanhado de uma deliciosa torta de maças!!
As  melhoras mesas,com vista pra rua são muito disputadas,e eu normalmente sento me em um
canto,onde a maioria rejeita por falta desta visão.Neste dia porém tive muita sorte e sentei-me em uma mesa localizada em frente a uma grande janela,quase  como uma enorme vitrine mesmo!
Estas fotos acima são exatamente do lugar onde sentei me!
Com tempo para saborear meu café e a vista,comecei a observar o grande movimento da rua e
logo pensei: Meu Deus,como perdemos detalhes nesta vida!!
Na  correria do dia á dia  não percebemos nada em nossa volta,e muitas vezes o dia termina com total stress. Parei para olhar as pessoas,seus gestos,suas atitudes...
Reparei que tem mais estrangeiros aqui,do que  Hitler  jamais poderia ter imaginado. São tantos e de tantas nacionalidades,que com certeza levariam o  Führer  a loucura!!!!
Mas são pessoas interessantes com suas roupas super coloridas como os africanos,ou com seus lenços cobrindo a cabeça,e seus longos vestidos negros,como as turcas.São pessoas que saíram de seu País de origem abandonando tudo,para simplesmente procurar por uma vida melhor.Alguns fugindo de guerras,outros da miséria mesmo.São histórias que desconheço,mas que com certeza vão muito além da cor vibrante  ou escura de suas roupas. São histórias que eu realmente gostaria de ouvir e talvez amenizar a dor que cada rosto de certa forma carrega! Da janela percebi que de certa forma todos andam atrás de seus ideais.
Uns muito apressados,outros nem tanto!...e nesta categoria refiro-me aos aposentados.
Acho que para uma boa estimativa,uns 60% da população por aqui,inclui se nesta classe.
OS "velhinhos" são realmente muitos ativos,e se não estão numa casa de repouso para eles destinada,estão pelas ruas diariamente.Aqui eles tem um ritmo invejável,e nem pensem que a chuva,calor intenso ou a neve os prende em casa...de jeito algum!
Os senhores andam sempre elegantes,e andam cautelosamente pelas ruas de pedra procurando um café com mesas na calçada,(como este em  que estou agora),porém estou sentada no salão interior.
As senhoras também apresentam-se com muita elegância e  firmeza no andar,e quando andar sem apoio já não é mais possível,eles contam com o auxilio  de um pequeno carrinho de duas rodas,no qual apoiam seus anos vividos e simplesmente deslizam pelas ruas,em busca de mais aventura!!!
Como é interessante observar as pessoas...sem nem saber seus nomes,ou origens...mas apenas observando podemos montar toda sua história. Tudo isso de uma grande janela!!
Esta janela me mostra,que tão grande quanto ela, é a minha vida!! Como tenho tantas coisas pra viver,grandes sonhos para realizar. Alguém com certeza esta me observando aqui sentada,escrevendo e  serenando a minha mente...sem me preocupar!!.
Devem estar pensando,como eu,qual será a minha historia de vida...de onde vim,e o que estou fazendo aqui sentada,para onde vou...engraçado isso,não é mesmo?!!
Espero que o vidro esteja bem transparente,ao ponto de mostrar aos outros como é bom apenas observar...admirar,imaginar historias,sentir as pessoas,respeitar suas diferenças e culturas...tudo isso sem julgar ninguém!!

Até Breve.



sábado, 20 de junho de 2015

                                                 As crianças que ninguém queria!! :(



Tenho muitos esboços de textos escritos e alguns já revisados pra postar,mas este tema  acima  tem me tirado a concentração dos demais. Parte de mim pede para falar destas crianças, e a outra parte pede para calar! É um tema bem delicado, e que mexe diretamente comigo por conhecer estas crianças e suas vidas.Seus medos ,suas inseguranças,seus sonhos não realizados,suas decepções...enfim,conheço estas crianças rejeitadas mais que qualquer outra pessoa, e sei que elas também me conhecem muito bem!!.Logo falar sobre elas torna-se um assunto muito delicado,mas vamos lá,devo isso a elas,e será esta uma forma de mostrar las que apesar de tudo elas sobreviveram e superaram tudo de ruim que lhes aconteceu um dia, e em alguns momentos, algo de bom também!.
Não conseguirei relatar tudo em uma única vez,pois é uma história de toda uma vida,mas aos poucos vou contar um pouco sobre elas e suas amargas lembranças.Então vamos lá...
Eram 4 crianças ,numa família de 5 irmãos, isso mesmo ,de 5.Masssss apenas uma teve a sorte de NUNCA ter sofrido tamanha rejeição, e até hoje paira no ar a pergunta que não quer calar...Porquê só uma???????? O que tinham as outras 4 crianças para serem rejeitadas,e por que foram assim largadas a própria sorte??
Eram 3 meninas e um menino,com 7,5,4,e dois anos de idade na época.
Bem,isto aconteceu lá pelos idos de 60 ,e o cenário era a capital de um grande cidade,mais precisamente  na zona pobre desta cidade. Ali morava uma família comum, formada por um casal com 5 filhos,em uma casa comum de uma rua também bem comum!!
A vida nunca fora fácil,e a mãe sempre saia para buscar ajuda social,enquanto o pai trabalhava para trazer o sustento desta família.
Bem, até aqui tudo parece normal,mas só parece!! O pai era um homem distante,fechado e em constantes momentos muito agressivo.Pouco demostrava amor pelos 5 filhos. Raras foram as cenas de afeto e carinho com as crianças e muito menos com a esposa.Aos poucos a dureza dos dias foi se instalando no seio desta família ,e muitas vezes faltou o pão á mesa.Nestes dias, Deus com sua infinita bondade e misericórdia  enviava socorro, e então alguém ajudava com um pão amanhecido,ou uma lata de leite.
A mãe cansada de ter esta vida de miséria ,vivia angustiada e infeliz.As crianças, sem nada entenderem levavam a vida de boa,tendo sempre o cuidado da mais velha,(com 7 anos),que era quem tomava conta dos demais, quando a mãe saia em busca de socorro. Com estas saídas frequentes a mãe acabou por conhecer um homem,que lhe prometeu vida melhor em terras distantes ,e ela já cansada da  dura vida que lavava aceitou o convite. Resolveu  então rumar em busca de uma vida melhor,abandonando assim o lar e a pobreza que o assombrava. Porém  ela cometeu o mair erro de sua vida,ela deixou para trás  4 dos cinco filhos...
Ela não abandonou apenas o lar miserável com o marido agressivo e uma união a muito falida,ela abandonou também  4 filhos,levando consigo apenas uma,aquela que nunca sofreu nada nesta vida!! Ajeitou as malas,banhou a criança escolhida, arrumou-se ,abriu a porta e partiu,dizendo apenas para a mais velha que iria ao médico com a pequena e logo voltaria,coisa que nunca aconteceu !!
Os demais questionaram a mãe sobre a saída, e ela disse necessária, pois a pequena requeria cuidados,e que logo estaria de volta, e o pai  também logo chegaria do trabalho.
 E assim ela pegou as malas e se foi,sem nem olhar para trás.Apenas com um filho nos braços...ou melhor,apenas uma!!
Assim ela partiu rejeitando seus  demais filhos,estes mesmo que um dia ela sofrera tanto para os trazer ao mundo!!!.
As crianças rejeitadas esperaram por horas pela volta da mãe que nunca chegava.
Passou se o dia, a fome veio,o choro era incontrolado,a pequena com as fraldas sujas chorava esperando a mãe vir atende-la,os maiores brincavam livres em frente da casa,sem repreensões e sem sequer imaginar o que realmente os esperava. A tarde caiu serena,as crianças maiores já agitadas se questionavam o quanto a mãe demorava.Até que o pai chegou,e muito nervoso constatou que a mãe abandonará o lar e os 4 filhos para ele cuidar. Bateu o desespero,as lágrimas brotaram intensas e incontroláveis e também o ódio pela atitude impensada da esposa.
Louco de ódio correu até a estação rodoviária,na esperança de ainda encontrar a esposa e faze-la voltar para casa...mas em vão!! Ela já havia partido.
Ela se fora e lhe sobrava a tarefa de cuidar dos  4 filhos  deixados, e levar a vida sozinho.
Então veio o desespero...o que fazer com 4 crianças famintas e carentes de carinho e cuidado?
Como cuidar destas crianças e trabalhar?? Saiu em busca de conselhos com a cunhada ,e aqui começa a saga destas crianças rejeitadas,que irei relatar nos próximos dias!!

Até Breve.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

                                                 Sorrir com o coração!!


 É incrível como temos uma facilidade enorme para sorrir!! Digo isto de nós brasileiros,que conseguimos achar graça em tudo,até mesmo dos nossos momentos mais difíceis.
Quando um problema nos atinge isso nos abate um pouco,é claro...então sofremos por dias,semanas, até meses,mas no final sempre brota um sorriso lá do fundo da alma ,e nos  coloca no prumo novamente.Sorrir rejuvenesce,contagia e alivia qualquer coração partido.Sorrir faz tão bem,que deveriam existir sorrisos em comprimidos,para nos socorrer na hora que nossos próprios nos faltam!!
Lembro-me que quando travava uma batalha comigo mesma ,para superar viva a dor do meu divórcio,muitas vezes me senti na lona!Nada tinha graça e faltaram-me motivos para sorrir, e juro, achei jamais faze-lo.Na época, uma grande amiga que acompanhou de perto minha saga dizia: Um dia você ainda vai rir  muito de tudo isso!!
Rir?? capazz!!,eu pensava no quanto ela era sem noção para me afirmar com a maior naturalidade que eu ainda iria rir de mim mesma. Mas para minha surpresa,alguns meses depois eu realmente estava sorrindo novamente.Superei,sobrevivi e voltei a sorrir...
Em alguns momentos de minhas caminhadas pelas ruas,encontrei alguém sério,mas não o suficiente para ser vencido pelo meu sorriso! Alguns retribuem com um sorriso "amarelo",outros com mais calor humano,mas sempre que sorrio para alguém,recebo algo igual em troca.Sorrir é bom e é de graça!!Faz bem,estreita relacionamentos e quebra barreiras.
Uma vez li algo que dizia que o sorriso é o espelho da alma,e concordo  plenamente com isso.
Quando damos uma gargalhada alta e gostosa,isso revela que estamos bem internamente,funciona quase como um termômetro...se você esta com 40 graus de febre,certamente você não ira sorrir!!
Quando eu era muleca vivia com os dentes á mostra,parecia até que estavam a venda!!
Muitas vezes fui repreendia pela minha facilidade de sorrir á toa,mas nem assim deixei de praticar.
Estes dias atrás estávamos subindo uma escada rolante,(eu e meu marido),na estação de trem aqui da cidade ,e eu contava a ele algo engraçado,e de repente soltei a maior gargalhada,bem alta,daquelas que vem da alma mesmo,e para minha surpresa um homem a nossa frente na escada virou se e disse ao meu marido:
_ Sua mulher riu com o coração,e isto é fantástico! A risada dela  é contagiante! Você esta de parabéns por ter alguém assim do seu lado,isso é raro!!!
Nossaaaaaaaaaaaaa,eu fiquei toda boba e meu marido respondeu:
_ Sim eu sei,ela ri com muita vontade mesmo e de verdade,sou um cara de muita sorte pois tenho este sorriso todos os dias! Pensa na minha cara de satisfação!!! Passei dias refletindo sobre as palavras que ele disse.
Sorrir com o coração!... é assim que todos deveriam sorrir,com certeza os problemas seriam mais amenos,a vida mais fácil e os dias bem mais divertidos!!

Até breve




terça-feira, 26 de maio de 2015

                                                           Quem é você??.

Aos 25 anos de idade Deus me concedeu a graça de ser mãe.Esta foi sem sombra de dúvidas a melhor coisa que aconteceu na minha vida!! De lá para cá tornei-me uma pessoa extremamente melhor.Um filho muda tua visão da vida e teus ideais passam a ser bemm outros.Já se foram 23 anos e quando me pego a relembrar a passagem destes anos,vem em minha mente muita coisa engraçada,vivida por mim e meu fiel  companheiro e filho.
Aos poucos vou relatar um pouco destas aventuras,que confesso são muitas,e tenho certeza que vocês iram gostar de cada uma delas.
Ser mãe de menino é apaixonante,é realmente incrível! Descobrimos ao longo desta jornada que temos muito mais a aprender do que ensinar.Meu filho,então com uns 7 anos,me deixou ciente de que criança precisa saber realmente de tudo,tipo ao pé da letra mesmo,para não ter que no futuro, sair em busca de um analista procurar esclarecer conflitos internos!!.
Eu, como quase metade da população tenho um apelido,que no meu caso é metade do meu nome.
E desde que meu pequeno veio ao mundo,nunca,mas nunca me ocorreu de falar a ele sobre  minha verdadeira identidade.Ele nasceu,cresceu e viveu até os 7 anos sem saber deste pequeno detalhe.Porem nesta faixa de idade criança adora atender o telefone,e na época só existiam telefones fixos,o que para ele era uma curiosidade sem fim.Cada vez que o telefone de casa tocava,ele podia estar na melhor das brincadeiras,que ele largava tudo o que estava fazendo,e corria feito louco para atender o telefonema.Foi então que comecei a notar que algumas vezes ele falava algo ao telefone e em seguida desligava,voltando a fazer o que parou para atender a chamada.Algumas vezes um pouco irritado e resmungando algo que eu realmente não entendia. Eu em seguida perguntava quem era ,e ele me respondia que como sempre era engano.Até que numa tarde eu estava mais atenta e  eis que meu telefone toca e lá vai ele correndo atender sem nem me dar chance de fazer isso,e a mesma cena se repete;ele fala algo ao telefone algumas palavras e em seguida desliga.
Só que desta vez ele se volta para mim e diz: Mãe eu não aguento mais essa gente que fica ligando aqui procurando por uma tal de Leonice, sendo que  eu já falei mais de mil vezes que não tem NINGUÉM aqui com este nome!!
Meu estomago revirou  geral e  eu gelei na hora,afinal a Leonice em questão era eu!!!
Sem me dar conta do fato de ele realmente não saber disso,fui logo dando sermão e dizendo:
Meu Deus!!! não esta vendo que  era pra mim???,e você com essa mania feia de correr na minha frente pra atender,desligou o telefone.E se fosse algo importante? Você não tem jeito mesmo guri!!.
 Então ele retrucou com aspereza... Mãe,você é que não esta entendendo mesmo, hallooo era para uma tal de Leonice e não para você!
Noooossa,eu queria enforcar ele, (pensei logo),mas que coisa,ele faz algo errado e ainda quer me dar sermão?e assim ficamos discutindo sobre a mal educação em questão e não no caso do nome em si,que ele insistia em não entender .
Como não conseguimos entrar em um acordo,eu resolvi tentar explicar de uma forma mais clara  que eu era a tal da Leonice,por que este é meu verdadeiro nome, e que Nice era meu apelido que foi-me dado desde pequena,Mas para  minha surpresa ele começou a chorar desesperadamente,e a dizer que não,que não era eu,pois eu era a mãe Nice e essa tal  de Leonice do telefone não era eu.Ele não queria que fosse eu...
Tentei controlar a situação, mas sem sucesso,pois ele realmente estava bem nervoso.Foi então que peguei  minha identidade e sentei-me com ele e comecei a explicar -lhe todo o processo de ter um apelido e que mesmo assim podemos ter nosso nome também.Disse que eu nunca tinha falado para ele ,por puro esquecimento,mas que o meu nome de batismo era este e coisa e tal.
Foi engraçado por que ele me olhou e disse:afinal de contas,quem é você?? Minha mãe Nice ou essa tal Leonice ai da foto da identidade.Eu quero que você seja só Nice!!.
Ele realmente não queria aceitar isso...no final ri muito e fui aos poucos fazendo ele entender como funciona isso,que até ele mesmo tinha um apelido,que por sinal usamos até hoje!.
Realmente temos que ser mais claros com nossos pequenos, e contar lhes todos os detalhes que muitas vezes achamos tão bobos ,mas que fazem toda diferença.
Hoje ele esta com 23 anos e sei que ele me conhece mais que ninguém,pois desde este dia passei a ser mais clara com ele, para nunca mais ter que sentir ele com duvidas com relação a mim e nunca mais ter que ouvir  a frase que me deixou sem chão um dia: afinal  de contas,quem é você!!??

Até breve